Daniel Sharman concedeu uma entrevista a seu amigo Benjamin Mathes o qual possui um podcast chamando “Heard Podcast”. O podcast foi ao ar nesta terça-feira (19.06), durante a entrevista Daniel revelou detalhes sobre sua vida pessoal o qual nunca havia mencionado anteriormente, como casos de depressão entre seus familiares e com ele mesmo, falou sobre séries, redes sociais, ainda acabou revelando que ele participará da Terceira Temporada de Medici: Masters of Florence – The Magnificente e muito mais. Confira a tradução da entrevista e escute o áudio da mesma:

Benjamin: Bem-vindo ao Heard Podcast. Eu sou Benjamin Mathes e hoje vamos ter uma conversa honesta sobre o que significa estar vivo. Deixe me perguntar algo; Você já teve uma semana tão ocupada, tão produtiva que você acabou de esquecer que dia foi ou esqueceu que ano foi (risos) é onde eu estive as últimas semanas, mas estou feliz em anunciar que eu tenho lançado o meu terceiro livro e se chama “You, the career”. Nós somos atualmente o número um novo lançamento na seção de artes cênicas na Amazon e, é um mergulho profundo no que significa viver uma vida significativa reconhecendo, que no final, a maneira como você vive sua vida é a maior obra de arte você faria. Eu venho desenvolvendo essas ideias há anos, eu as apresentei em universidades e em todo o mundo e finalmente elas estão em forma de livro então, se isso é algo que é interessante para você, se você está em um caminho que você está tentando Para viver seus sonhos, você pode desencorajar, você pode precisar apenas de um pouco de motivação extra, ou talvez você só queira saber para que lado olhar o que você está tentando alcançar no mundo; então este livro é definitivamente para você.

Vá para a Amazon, digite “You, the career” e você terá tudo o que precisa ver.

Nesse sentido, há alguém que adoro conversar sobre esse tipo de coisa. Você já tem aquelas pessoas com as quais você pode mergulhar profundamente e entrar em lugares, é como se você tivesse que colocar a máscara de mergulho e você até o fundo do oceano e você fica lá embaixo para sempre e você perde a noção de tempo e então você resolve todos os problemas do mundo? Bem, nosso convidado hoje é alguém assim para mim.

Nosso convidado de hoje é alguém assim para mim. O nome dele é Daniel Sharman, e você já deve o conhecer de Fear TWD, Teen Wolf, The Immortals ou The Originals, ele é um ator inacreditável e ele está começando uma série do Netflix chamada Medici. Mas mais do que isso, ele é uma das pessoas mais curiosas que eu já conheci na minha vida. Ele faz perguntas, e escuta tão profundamente à pessoa que está em sua frente, e faz você se sentir a única pessoa na sala e essa conversa é a experiência mais importante para cada um deles. Quando você está com ele, você está com ele. E essa é uma qualidade enorme, especialmente em Hollywood, especialmente para atores, para ser honesto… Estar com ele e poder conversar com ele, algumas vezes ir em algum café, falar sobre o que passou mas é sempre um prazer, é sempre uma honra, ele é alguém que fica ansioso para compartilhar seu ponto de vista, sua história e a maneira que ele pensa, a pessoa que ele é nesse podcast então…entre bem fundo com a gente porque vamos falar sobre coisas maravilhosas sobre o que realmente significa ser um artista, o que significa ser curioso e como podemos ir adiante com isso e estar perto um do outro nesse mundo e em cada lugar, este é meu amigo Daniel Sharman.

Nós tiramos as cartas de tarô encima da mesa, o que você acha de cartas de Taro?

Daniel Sharman: Você sabe…Eu..

B: A pronúncia é Taro ou Tarot?

D: Eu acho que eu falo Tarot.

B: Isso é inglês ou algo do tipo?

D: É eu acho que sim…

B: É Tarôw?

D: taro…

B: É polonês?

D: Não tenho certeza..

B: Qual é a palavra…é Francês?

D: (com sotaque francês) Tarou! (risos)

D: Ah, oui! C’est tres bien!

B: (risos) Você fala em Francês?

D: Não, quero dizer que deveria. Eu passei bastante tempo… Mais ou menos… Eu tive uma troca de franceses quando eu era criança.

B: Você quer dizer que você foi morar lá?

D: Vivi na França.

B: Morou na França? “Intercâmbio francês” não sabemos o que isso significa. (risos)

D: (risos) Ah, é mesmo? Você não tem o…

B: Não, eu sei… Eu sei o que isso significa, mas pode ser muitas coisas.

D: Sim, sim. Ben, eu tive uma troca francesa.

B: Eu tive uma bolsa de francês… (ambos riem) e eu ainda não superei isso.

D: (risos) Você sabe. Exatamente. Eu ainda penso nisso até hoje.

D: Onde nós estávamos… trocamos nossas escolas meio que trocaram uma criança por uma outra criança, você sabe que eles poderiam ter vindo… E lá vamos nós…

B: Ah, sim, sim.

D: Eu lembro basicamente pela semana inteira essa pobre criança veio e nós acolhemos ele pelo seu segundo nome, era Sam.

B: Certo.

D: Então eu percebi que não era o nome dele.

B: Como você o chamava?

D: Nos chamávamos dele de “Sebon” ou alguma coisa assim, não era na verdade o nome dele, mas ele contou que o nome dele era Matthew Sebou, ou seja, o que for, mas eu estava chamando Seb porque pensei que era o nome dele, então passei o tempo todo chamando-o pelo segundo nome. Ele teve um tempo terrível…

B: Não é de admirar que o francês e o inglês nunca se deram bem. Você está brincando comigo?

D: Exatamente. Esse é o problema. É por isso que “Agincourt” aconteceu. (risos)

B: Sim! Exatamente exatamente.

D: Eu tive um momento terrível, eu lembro de todo mundo estava em família em Paris, e a família dele decidiu que a gente ia para o sul da França e a mãe dele era uma mulher muito estranha, como se você fosse permitido a comer duas refeições, e no final eu estava morrendo de fome.

B: Espera… sério?

D: Sim e lembro-me de dizer que gostaria de obter mais comida e ela disse em francês, isso foi em francês, e foi por isso que eu não pude falar bem, então ela estava tipo, ‘nada de falar em inglês’, como, você não vai mais ligar para casa, você não está fazendo nada e você não está autorizado – e me lembro de pensar…

B: Por uma semana?

D: Isso foi por 2 semanas. 2 semanas no sul da França e todo mundo estava ”eu não quero ficar puto em Paris”, eles tinham 15, 16…

B: Todos os seus colegas?

D: Sim, tivemos bons momentos no Sul da França em não ser posto para fora e eles estavam sem receber alimentação e não falamos com ninguém e apenas nos apenas estávamos lá mentalmente. Então não é de admirar por que eu nunca realmente aprendo francês muito bem., mas essa foi a minha… acho que foi, como um mês que passamos lá e foi… sim, não foi nada bom…

B: Então vocês conseguiram ele de volta? Vocês o deixaram falar? Vocês o alimentaram?

D: Não! Ele veio primeiro e eu não sabia se era crime o chamar pelo segundo nome, então não sei a gente teve más experiências nisso.

B: Você ainda tem sentimentos pela França?

D: O problema é que eu amo a França, eu deveria odiar, porque essa é o que pessoas britânicas fazem, mas…

B: Sim, certo.

D: Mas eu amo a língua Francesa, a cultura da França, e isso realmente se fez uma pausa ruim, você sabe…

B: Isso se tornou um ”drama”, falando em se tornar um ”drama”. O que significa estar vivo?

D: Drama (risos) uma constante humilhação! O que significa estar vivo?! Você sabe, quero dizer, é uma batalha, essa pergunta é difícil. Quando eu era criança pensava de um modo muito diferente, que era, como se você fosse um peão em um jogo, e isso é muito maior que você. Você apenas sente medo e destruição, se você não fizer algo sobre isso, se você não estiver constantemente vigilante ou constantemente se guardando, sempre haverá algo que destruirá algo ou o destruirá de alguma forma, portanto, estar vivo é estar constantemente vigiando algo, como as coisas que podem te machucar.

B: Então estar vivo, quando você estava lá… você estava constantemente vivendo uma batalha?

D: Sim, uma batalha! Lutando constantemente, ou constantemente ficar preso a coisas que me prendem, quando não estou olhando para ela, e acho que não foi uma espécie de proporcionalidade sanguínea, acho que foi um tipo de mentalidade em que me envolvi, sobre estar vivo.

B: Como você chegou a ficar assim?

D: Você sabe, é engraçado, porque sempre tive probabilidade a ser quieto, contido de alguma forma, e essa contenção me fez ficar conectado com o mundo de alguma forma e essa conexão, que eu descobri agora, foi a melhor parte da minha vida, e nem sequer é doloroso ou meio ou você sabe, você é guiado por estar conectado, por ser uma pessoa isolada, e eu era muito quieto e isolado, eu me isolava…

B: Essa é uma grande mudança.

D: Sim.

B: Você quer dizer que você encontrou a si mesmo, em um lugar que você se encontrava isolado ou tudo estava contra você, ou indo até você, ou você não confiava no que estava a sua volta, e você se isolou e na verdade essa era a coisa, que você criou.

D: Absolutamente! Auto preparado você sabe.

B: Sim, era um sentimento propenso… E você está dizendo agora que essa conexão verdadeira, é algo que não precisamos nos proteger.

D: Na verdade, eu lembro na escola de teatro de alguém ensinando uma lição sobre a diferença entre personagens indivisíveis e, claro, seres humanos, que estão próximos e distantes. Então as pessoas que estão próximas são muito próximas, você sabe que elas falam diretamente, elas também são muito boas – elas são imediatas, tudo é imediato. E então as pessoas que estão longe, o que é bastante do traço inglês; de ser bastante reservado, e eles estão longe, eles estão longe em tempos que são como se estivessem olhando para você através do vidro.

B: A distância entre vocês…

D: A distância… Uma distância que eu acho que pode ser uma coisa cultural, mas também como protecionista, que é também, que você é… É assim que você faz sobre a vida, é através de algum tipo de lente. E essa proteção parece estar protegendo você contra a dor, protegendo você contra a vida, onde eu penso… O que eu estou aprendendo é estar perto, estar nele, estar no momento, estar dentro… Sentir e passar pelas coisas com as pessoas, é realmente longe… Não é apenas muito menos doloroso, mas também é preciso muito menos esforço para ser guardado, ou para ser distante, ou para se afastar das coisas. E isso é algo que você precisa aprender ou algo que eu precisava aprender.

B:  Você falou algo muito interessante sobre evitar, e eu acho que quando eu me encontrei evitando, eu achei que estava me sentindo menos esforçado e quando você se encontra assim, eu sentia que não poderia me sentir assim.

D: E isso é algo que eu acho, a preguiça é muitas vezes ver algo, como alguém, que não é… Como você disse, é bom tirar o efeito, mas ser preguiçoso é provavelmente estar mais prestes a se levantar, estar sentindo, estar respondendo, todas essas coisas. E eu acho que meu irmão e eu, nós trabalhamos bastante quietos e devagar, em termos, do que nós fazemos, mas eu não me sinto frustrado de fazer isso e nem ele, porque na verdade, eu acho que você não gostar de se sentir assim, porque parece ser perigoso…

B: Devagar você quer dizer em trabalhar, se arriscar?

D: Não, não sair ou não estar disponível em se aproximar das pessoas, estar disponível a… você sabe… E eu era muito parecido, ele é como, eu me distanciava de qualquer grupo ou como você disse, parece que… é algo irresistível de resistir, ser parte da comunidade das pessoas, de estar perto das coisas, é algo difícil de se fazer, e é algo para aprender a remover…

B: É engraçado que eu lembro, de estar em uma cafeteria com você, (risos) e eu lembro de me perguntar, Deus onde está ele?! E você estava lá em uma esquina escura… E eu sei exatamente do que você está falando, é um ponto muito interessante, em termos de ser preguiçoso, mas eu sinto que quando eu me sinto preguiçoso, nada produtivo ou, não estar trabalhando ou não cuidar de mim mesmo, eu não conseguiria ter aquela chance de ser artístico, de tomar uma decisão, uma decisão composicional, e isso parece ser mais fácil, mas sempre tem um preço, e todo esse preço na verdade, é realmente uma coisa ótima para carregar e ir lá e fazer as coisas em primeiro lugar.

D: Exatamente, e como você disse esse auto sentimento, quanto mais você faz isso, fica mais perigoso quando sai, você realmente começa a acreditar em princípios da sua cabeça, e nesse momento é uma coisa muito difícil de sair, isso acontece… Quando você segue esse caminho, é preciso de um grande esforço para recalibrar esse pensamento. E eu tenho assistido, muito estranhamente. Eu estou indo para esses hábitos agora e então… Eu assisti essa série, chamada “All or Nothing” uma série da Amazon, e segue os times da NFL, eu não sou fã de futebol, você sabe, nunca estive apto a performar, mas…

B: Eu vou ter que parar por aqui (risos). Vou ter que ligar para o JR Bourne.

D: Então eu assisti, eu vi esses atletas se colocarem durante o período de uma temporada, como se colocarem em um esforço físico tão imenso, mas você assiste os treinadores, e todos os treinadores dizem: você se coloca 100% nisso, e você terá o que você coloca, você sabe, você tem que continuar colocando essa coisa toda, você tem que continuar colocando esse esforço, você tem que acreditar mentalmente que como tudo o que você pode fazer, você coloca 100%, qualquer coisa, e eu amei, é muito bonito, você assiste, quando você vê isso, é algo para se passar para a vida, eu acho, colocar esse efeito, que você deve estar lá com as pessoas, meio que se coloca você dentro, e todos aqueles hábitos, um processo diário, você aprende aquelas coisas todos os dias, a tentação mesmo em conversas ou mesmo em outras coisas, isso meio que te deixa distante, distante bem distante..

B: Sim, você fica totalmente separado de todo mundo. Você está sempre conectado com pessoas jovens desse país, do mundo afora, e a conversa sobre saúde mental, a depressão, quero dizer, eu tenho medo de olhar o Facebook e ver que mais alguém cometeu suicídio, e sobre o que você falou e o que estamos falando, eu me coloco no seu lugar, certo Daniel você pode se achar preguiçoso, mas eu não posso sair da cama.

D: Totalmente! Absolutamente!

B: Qual é a diferença, como você separa os dois, alguém que está escutando pode estar passando por isso, como eles podem mudar, voltar para a comunidade, lembra-los que eles são um de nós?

D: Totalmente, e eu acho que essa minha coisa de me chamar de preguiçoso, é algo que não acredito que seja preguiçoso, eu acredito que preguiçoso é mais fácil de lidar com isso, mas na verdade, tem algo mais profundo, então, temos que fazer algo sobre, você não pode chamar as pessoas de preguiçosas, pessoas não conseguem levantar da cama, sabe, eu tenho histórico de depressão na minha família, e eu acho que, você tem que parar de lidar com isso, e muito mais….Você tem que travar uma batalha com isso, de um modo muito mais complexo, como, as pessoas sempre, você sabe, vão para a cama e ok, você está 100% e sorri e exatamente… Eu acho, que isso é realmente antiquado para a saúde mental, você tem que procurar e ver o porquê isso está acontecendo de que forma está acontecendo, e realmente dar para as pessoas o passo a passo, de todas essas coisas, colocar em clinicas e balanços, ou qualquer coisa, você tem que fazer esses passos parecerem pequenos, e eu falo do meu irmão que realmente é um gênio, e eu acompanhei ele na faculdade, bebendo e estando disponível a se confidenciar e falar com as pessoas, porque ele se achou ser muito caçado pelas pessoas em situações sociais, ele tem uma mente brilhante, mas foram necessárias circunstâncias que o levaram a confiar em si e ser capaz de… e essas coisas são tão difíceis e são tão diferentes de cada pessoa que realmente meio que, você tem que ser muito mais compreensivo, e ver onde isso está aparecendo e como isso está aparecendo, e essa idéia de que você é como, “bem, levante-se e saia” é tão prejudicial para o objetivo do que você está tentando fazer; que é fazer com que essa pessoa cumpra seu potencial para realizar algo e, assim, você sabe, é algo que eu simplesmente não tenho, e eu não tenho habilidade suficiente neste departamento, mas eu sei que é muito mais complexo e muito mais… há muito trabalho a ser feito, e mais especificidade em fazer as pessoas se sentirem confiantes o suficiente para começar a se abrir.

B: Você levanta um grande ponto, essa doença mental à parte, é sua realidade, e é um produto de suas escolhas, e então você não está lutando com a doença mental e então pode rotulá-la mais precisamente como preguiçoso (risos) bem, seu preguiçoso, eu tenho alguns amigos, então levante essa bunda daí, e você é… o jeito que você fala sobre o esforço em torno da evitação, e na verdade os efeitos acumulativos dessa “evitação” que fazem com que, agora você esteja levantando algo a “mais”, o que você diria a alguém que talvez não esteja necessariamente lutando contra essas doenças mentais, mas eles estão apenas lutando com falta de motivação, ou… o que você diria a alguém e como você sugeriria que eles começassem a dar a volta por cima?

D: Você sabe, eu sou sempre acreditei em pequenos passos, e também… Eu encontrei, para mim, a maneira de trabalhar nisso, que eu sei que a única maneira como eu deixo isso acontecer é, que se eu sou responsável por essas ações, e isso é uma coisa mais fácil de dizer do que de se fazer, mas já é um pequeno começo, eu sempre acho que você começa com o menor e vai acrescetando mais… você sabe, você não vai direto para, “oh eu vou ser, faça isso e faça aquilo”, faça isso para começar, com um plano de faça cinco minutos disso e cinco minutos daquele outro, e então faça isso. E, em seguida, construa até um ponto em que você é responsável por suas ações. Eu acho que essa é a única coisa que realmente fez sentindo para mim, que eu tive que participar de um programa para certas coisas pelas quais eu era responsável, minhas ações e minhas coisas, e eu ainda estou lutando com isso, você sabe disso. Não vá embora, não desista. Eu acho que somos criaturas de conforto, e esse conforto que pode parecer que nos fechamos, e sentimos como você diz, com falta de motivação ou falta das coisas. Há um conforto nisso, a menos que o outro lado seja realmente maravilhoso e exija muito esforço e leve tempo. Então você tem que se dedicar lentamente, passo a passo, e eventualmente ser responsável, seja com seus amigos ou estabelecendo alguma coisa, é assim que você encontra alguma responsabilidade, porque caso contrário, você precisa focar um pouco e você precisa de um pouco de cenoura (?)… você sabe que para mim certamente, é que se as pessoas estivessem ligando e dizendo “para onde diabos foi isso?” ou “por que você não estava fazendo isso?”, eu tenho esse sentimento de, “Oh merda, eu deixei essa pessoa para baixo.” Eu não estou fazendo isso o tempo todo, mas há um mundo lá que funciona assim.

B: Sim, sim, você mencionou algo aqui. Você está falando sobre isso, e quero dizer essa palavra para você, e eu quero ver o que você… como você responde. Porque é uma palavra difícil para mim, e eu tive que trabalhar com isso, e eu vim para o outro lado. É esta palavra “Comunidade”, e se você estava falando sobre isso antes ou apenas agora, alguém te responsabilizando. O que essa palavra significa para você e como isso se encaixa em sua vida agora?

D: Você sabe, eu acho que para mim a comunidade é… e isso não é algo que eu teria dito a você há cinco ou seis anos atrás, ou talvez até dois anos atrás, mas é a coisa mais importante. Porque nós somos projetados, evolucionários projetados para prosperar nas comunidades, e fora a constituição genética é toda a sobrevivência em uma faixa de 30 ou mais pessoas, que dependem umas das outras por recursos, vida e coisas assim… então você tem que perceber que é impossível fazer isso sozinho e que a comunidade; seja artistas, seja pessoas ao seu redor; eles têm que ser uma parte de sua vida, para conseguir qualquer coisa que tenha um contexto mais amplo. Existe essa ideia de que há esse tipo de “subalterno” e, no fundo deste sub objetivo, você é… Apenas sua mente e tudo o que você está fazendo por você. Então há, você sabe, acima, esse tipo de sub objetivo é uma outra ligação, que você tem com as outras pessoas, e existe a essa coisa, e existe o mundo no topo. Então, se você está fazendo algo por uma comunidade ou pelo bem maior, há uma enorme quantidade de sinapses em seu cérebro que disparam, que você está criando um design para fazer isso ou fazer algo, isso é algo que faria você feliz ou qualquer coisa ao redor você. “Você” é realmente a última coisa que deveria existir nesse tipo de coisa, nessa coisa “toda” pensando assim.

B: isso não é estranho?

D: é bizarro.

B: As vezes eu tenho muitas pessoas sentadas comigo e elas estão deprimidas, ou estão para baixo, ou o qualquer coisa que seja. E eu não quero dizer clinicamente, então eu só quero dizer que você está tendo um problema ou algo assim. E um dos que sempre peço é: “Quem você está servindo? O que você está fazendo para outras pessoas?”. E a resposta é sempre a mesma: ninguém. E eu estou apenas indo, eu não sei se esse serviço é a resposta… se é o componente de cura para nossas vidas, como tem sido para mim.

D: Eu acho que é para um grande número de pessoas, mais do que imaginamos.

B: Mais do que você pensa que existe. Eu posso dizer às pessoas que estão desempregadas ou que não têm uma comunidade real, eu diria ‘vá ser voluntário em algum lugar!’, é a melhor coisa que você pode fazer agora, é ir viver para outra pessoa, e é assim que você as traz valor, você aumenta seu próprio significado, então é assim que as coisas começam.

D: E é um tipo egoísta estranho… Não consigo me lembrar, havia um filósofo que dizia que se você fizesse alguma coisa com a ideia, ela voltaria de qualquer forma, portanto, isso não é… que é meio que estar se auto servindo de alguma forma. E algo assim, porque você vai fazer esse serviço, e você pensa, sabe, eu estou fazendo isso…

B: Eu estou apenas fazendo isso, e eu vou ficar melhor.

D: Até eu melhorar. Mas alguma coisa acontece mesmo quando você está lá e está recebendo ajuda.

B: É como se qualquer ato de servir fosse maior do que qualquer defesa que seu ego pudesse inventar. Eu estudei, isso é tão estranho, com esse rabino por cerca de dois anos, quando eu morava em Saint Louis, e ele era incrível Mordecai Magenzi. É um ótimo nome de rabino.

D: Um nome e tanto, é surpreendente.

B: Era como se ele estivesse fora do século II.

D: Mardoqueu!

B: E ele viveu em Kosher e ele era muito conservador, e nós sempre nos metemos nisso… Eu era apenas um idiota quando garoto, na verdade, e eu lembro de entrar nessa conversa como: “Não, não, não. Você não pode realmente fazer algo de bom para alguém porque, isso me faz sentir bem e por isso estou fazendo isso – e ele apenas olhava para mim sacudindo a cabeça e ele dizia: “você está sentindo falta da floresta das árvores” e ele disse “se eu estivesse em um penhasco e eu estivesse caindo do penhasco, e você estivesse ao meu lado”, ele disse, “você me pegaria reflexivamente?” e eu disse “sim, provavelmente” e então ele disse, “ou você pensaria: isso vai me fazer sentir bem, então eu vou segurá-lo?”, então me lembrei de pensar “sim, você está certo” e então eu disse isso uma vez para alguém realmente inteligente, e eles falaram “bem, você está biologicamente ligado para proteger sua própria espécie” e eu tipo “Eu acho que o ponto de vista dele

D: (risos) Sim, exatamente.

B: Eu acho que o ponto de vista dele, é  como se existisse algo em nós que deseja fazer o bem e ajudar outras pessoas, independentemente de isso voltar ou não para nós. E certamente não é o ímpeto porque o que acontece, você está deprimido, você está para baixo, você se torna voluntário, você ajuda alguém, e de repente você começa a se sentir melhor, é quase como se fosse um efeito colateral, e eu não sei se você faria tal coisa para conseguir este efeito colateral. Eu penso tipo: “estou tomando um monte de Tylenol, então vomito. Existem outras maneiras de vomitar.”

D: Sim, exatamente, você pode fazer isso de outra maneira.

B: Mas é um efeito colateral.

D: E gostei de você ter dito que a defesa, que o que o seu ego pode criar será totalmente superado pelos benefícios do que você faz. Como se você pudesse ir lá com a intenção de conseguir alguma coisa com isso, e isso pode até acontecer, mas quando você está lá, haverá algum tipo de euforia que você nem pode realmente identificar, ou colocar um nome, ou mesmo saído disso, isso apenas tira você de alguma forma fora disso, e isso, é o que eu realmente acredito que é, você sabe, como no caso de seu amigo, é obviamente uma expectativa biológica ou qualquer outra coisa, como se essa fosse a nossa revolução evolucionária. Nos coloca para cima, é assim que nós somos, você sabe é como se fosse, nós tivesse dado um chute de serotonina, é o que deveria ser, isso é maravilhoso – eu acredito na raça humana dessa maneira. Eu sei que é muito difícil pensar agora, especialmente com o mundo como é, embora todo mundo diga isso.

Ambos: (risos) Toda geração diz isso.

D: Eu realmente odeio quando as pessoas fazem isso.

B: E se houvesse uma geração como essa: isso seria incrível.

D: Isso é ótimo, estou me divertindo muito, não posso, isso é o melhor que já existiu!

B: Porque na verdade isso é o melhor que já existiu.

D: Totalmente.

B: De muitas maneiras, isso é o melhor de todos os tempos…

D: Absolutamente.

B: Estamos fazendo um podcast. Você sabe, isso é o melhor que já foi. Mas não é engraçado?Eu estava assistindo a um documentário no outro dia, sobre esse tempo e esse ponto nos anos 80 e todo mundo estava dizendo a mesma coisa que eles estão dizendo agora. Todo mundo está sempre insatisfeito com o que estava acontecendo por qualquer motivo.

D: Há um autor incrível Harari, ele escreveu o livro ‘Sapiens’ e é um livro maravilhoso, e há outro livro que ele escreveu ‘Home Deus’, que é sobre o futuro da humanidade. Nós somos os melhores desde sempre. Então é muito fácil pensar que este é um momento perigoso e, é perigoso para a evolução, mas como este é o melhor que já existiu e os seres humanos… eu realmente acredito nos seres humanos, em sua habilidade de estar em uma comunidade, em não se auto servir. E eu acho que nós, como espécie, estamos evoluindo continuamente para sermos melhores do que somos, e isso pode ser uma coisa meio reconfortante, eu acho, para mim saber que a espécie humana sempre poderá corrigir, que existe… Mas eu acredito, que a sobrevivência dependerá da nossa capacidade de ser, você sabe, está em nosso tipo de DNA de sobrevivência fazer isso. Então, eu apenas acredito que continuaremos essa busca para ser menos egoísta, ser mais comunal, fazer qualquer uma dessas coisas. E eu acho que nós vivemos em um tempo onde essas coisas se tornarão cada vez menos, você sabe, nós temos menos pessoas morrendo em guerra, ou você sabe, mais pessoas são informadas, quer gostemos de mídia social ou não, é como uma forma mais informada geração, e, portanto, há menos do “outro” sentimento, e isso seria sempre uma coisa boa, porque “outro” sempre pode fazer com que você faça coisas desumanas.

B: Sim, sim Como não te alimentar por uma semana. Na França.

D: Exatamente. Em francês.

B: Nós vamos passar fome nessa língua por uma semana. (risos)

D: Ele é muito gordo para estar aqui. (risos)

B: Isso é muito, muito profundo, porque quanto mais… você sabe, é fácil para nós vermos todas as coisas horríveis que estão acontecendo hoje, e existe eu suponho, sempre haverá, porque o outro lado disso o ajuste humano é mais escuro, somos seres complexos. Mas das coisas que você está falando com literalmente mídia social e apenas as notícias, o cabo e podcasts, e tudo o que podemos fazer hoje, a tecnologia! Ele quebra, pode derrubar barreiras. E suponho que isso também possa ajudar, mas não parece que ele coloca barreiras da mesma maneira que pode derrubá-las.

D: Eu acho que o advento da personalização, você sabe quando você olha para uma determinada mídia, as coisas da mídia social, a ideia de uma pessoa não ser uma pessoa que é, quando você se mete em problemas. Você acabou de dizer coisas e-

B: Certo, torcendo as coisas.

D: Mas eu acho que o que está acontecendo mais e mais é a ideia de ver o rosto das pessoas, você sabe, por meio vídeos, vendo essas coisas, de poder vê-las, eu acho que em um nível humano se faz algo muito diferente para o nosso, você sabe, nós podemos ouvir sobre as coisas, e nós falamos ‘que bastardo do caral***’ e tudo isso. E então você os vê e os ouve falar e diz: eles estão equivocados, mas são seres humanos; e então isso muda a forma como reagimos a isso e acho que é um dos benefícios disso tudo. E o anonimato dentro dessas coisas é sempre a parte perigosa das mídias sociais.

B: Porque você não tem que lidar com as consequências.

D: Você não precisa lidar com as consequências! E você vê certas coisas agora, pessoas que escreveram certas coisas, e então você vê a vida delas em alguma cidade horrível nos EUA, ou alguma cidade horrível na Inglaterra, e você fica tipo ‘oh, sim, eu posso ver como isso pessoa chegou até lá’. Você sabe, seja lá o que eles escreveram, ou seja o que for, você pode pensar: ah, eles são seres humanos. E esse tipo de empatia, eu acho, é a moeda que sustentaria a raça humana, de alguma forma, como se fosse capaz de ver isso.

B: Empatia como moeda, isso é ótimo.

D: Sim, acho que seria a única coisa que pode te juntar. O que eu adoro no seu podcast, que é: assim que você ouve alguém, há um valor, você se conectou de alguma forma, e então você pensa: isso é um ser humano, e eles passaram por isso e eles não são julgamentos que você possa fazer dessas pessoas, porque elas não são apenas produtos de um conjunto de circunstâncias que aconteceram antes.

B: Sim, quando você ouve realmente, tudo que ele passou e falou, e você fica embaixo da opinião de alguém, ou algo assim, você tem bastante presença nas mídias sociais, e você deve estar cara a cara com as pessoas dizendo coisas para você e anonimamente, talvez sendo desagradável, como você lida com isso? O que foi isso para você, talvez cinco anos atrás, o que é para você hoje.

D: Você sabe, eu digo tudo isso e eu realmente deletei as mídia sociais do meu telefone. Não porque… só porque eu tenho uma personalidade viciante (risos) e por isso…

B: Você está nisso o tempo todo. (risos)

D: Eu posso ficar para baixo, porque eu sou um aprendiz visual, ou um pensador visual, eu posso estar lá e ser pensar ‘essas imagens são incríveis’ e depois eu estou tipo ‘mais imagens, mais imagens’. Eu nunca me interessei no Twitter porque você não pode…

B: Você não pode ver nada.

D: Você não pode ver nada. Então, eu penso, então o vício é para esse tipo de coisa, é como um rato sendo acertado que agrada nervosamente e então fica tipo “Ah isso é fascinante, essa pessoa gosta disso, e isso, e gosta dessas imagens” e isso é porque eu não faço isso com muita frequência. Eu não estou nisso. Mas acho que tenho a sorte de nunca ter tido ninguém escrevendo algo em particular, me condenando, ou dizendo algo horrível, tenho certeza de que se o tivesse… Eu apenas meio que descarto isso como uma daquelas coisas que eles realmente não sabem sobre o que estão falando. (risos) Eu estou apenas esfregando meu próprio ego, é como adiar as coisas ruins e acreditar nas coisas boas, mas eu não acho que eu realmente acredito nas coisas boas também. Mas, dito isso, eu não sei como eu reagiria a uma… crítica realmente condenatória sobre o meu trabalho, ou algo que importava, e então há outras pessoas pulando naquele trem e dizendo isso. Eu não sei, eu acho que eu reagiria muito mal a isso, eu acho que eu levaria isso muito pro lado pessoal, o que você não pode fazer de qualquer maneira, especialmente fazendo arte ou sendo uma pessoa da mídia, você não pode aceitar levar pro lado pessoal, mas eu acredito que as pessoas… Talvez esta seja a minha própria insegurança, mas eu acredito que as pessoas estão certas. Como se muitas pessoas odeiam algo. Eu tenho que ter cuidado com o que eu digo aqui. Se muitas pessoas odeiam algo, e elas são como pessoas que têm um bom senso de julgamento sobre as coisas, eu tenho que pegar isso e dizer “Eu estou fazendo alguma coisa, eu fiz algo que não era artisticamente…”. Eu sei que existe pessoas que vão dizer: olhe que essa criação deveria ser totalmente desprovida de qualquer resultado, e eu acho que isso é algo, que você deveria ver. Mas se as pessoas não estão respondendo, é isso, é algo que, você já fez o suficiente? Você fez um bom trabalho? Eu não sei essa é uma questão interessante.

B: É uma grande questão. O limite entre avaliar a qualidade do trabalho de alguém, a quantidade de seu trabalho, o espírito que faz o trabalho. Então entramos no equilíbrio inspiração e técnica. E assim, eu acho que às vezes criticamos a técnica crítica, podemos dizer ‘você poderia ser mais preciso, você pode melhorar nessa habilidade’, mas é uma grande questão e eu penso que se alguém criou o trabalho então existe uma celebração da linha de base, que eles colocaram isso lá fora, eles tinham algo a dizer, e já foi dito. Então, na base, podemos celebrar a realização. Agora, dependendo do seu relacionamento com a pessoa, se você quiser ficar sofisticado, posso ajudá-lo a expressar mais plenamente, talvez, o que você quer dizer. Ou talvez eu simplesmente não goste do jeito que você expressou isso, mas é feito com habilidade.

D: Sim, é difícil. Há algo que a arte pode fazer, a criação de qualquer arte, sua ressonância, você sabe quando a criou e ressoa com outro ser humano, que é o senso de comunidade do que amamos fazer. Você sabe, essa ressonância e essa coisa. Eu sempre fui fascinado por artistas, e especialmente tipo como olhar para a arte moderna, e as pessoas pensam “bem, eu poderia ter feito isso” ou qualquer outra coisa. Mas há algo que acontece quando você entra e vê em uma obra de arte em uma galeria de arte, que você poderia ter feito ou qualquer coisa, que ressoa… há uma qualidade de acabamento que é tão bonita, que faz algo para você, em um nível tão estranho que você gosta… há um fim nisso… Tem um acabamento de qualidade que é tão lindo, que diz algo para você em um nível diferente. Você pode… Existe uma finalidade! Eu pinto coisas e as termino, e hoje olho pra elas e digo “isso nunca poderia estar em uma galeria”, porque não diz algo através da tela que a caracterize como uma obra de arte. E eu não posso descrever o que falta…

B: Quando você termina?

D: Sim, quando eu termino! Eu pinto algo e quando eu termino vejo que isso não quer dizer algo em um nível fundamental.

B: Isso não é tão simples, porque de um jeito eu confio e acredito em você. Se alguém – especialmente um ator – se um ator faz algo e ele diz “isso não é bom”, meu primeiro pensamento será “O que está acontecendo para ele dizer que não está bom? Quem é ele para julgar?”… Por outro lado, existem algumas pessoas que podem não dizer, “o trabalho não é bom”, porém podem dizer “não era o meu melhor, não estava tão envolvido quanto gostaria de estar.” Isso não é tão simples! Eu acho que auto-avaliar nosso trabalho pode ser importante se soubermos como fazer, mas também pode ser a obra de arte que nunca será vista…

D: Claro!

B: (Imitando o Daniel) – Isso não é bom, não é um Picasso!

D: Sim, eu não posso descrever o que é…

B: Mas vamos voltar! Você pinta?

D: Sim, eu pinto.

B: Então quando vou poder ver uma pintura sua? (Risos)

D: Nunca, porque eu nunca vou mostrar…

B: Agora sei que isso é um problema!

D: Exatamente! Minha mãe é uma grande pintora e eu sempre desenhei, pintei como algo que eu queria fazer! E aí eu aluguei um estúdio no centro… E comecei fazer algo básico, só pintura com tinta óleo e isso me deixou bastante louco… Porque surgiu o pensamento que aquilo não era perfeito. E isso é perigoso, é quando você entra em um lugar perigoso, algo realmente perigoso… Eu poderia pintar algo em uma única noite. Mas existe algo em elevar uma peça de arte que eu não consigo descrever. É como juntar um monte de peças do cérebro de uma pessoa e expressar esse momento único como uma habilidade. Como algo que não está certo, não está acabado. É como se eu estivesse fazendo do jeito errado.

B: Sim.

Daniel: …não estava fazendo pela razão certa!

B: Da onde está vindo?

D: Da onde está vindo? É uma grande expressão de quem eu sou. Ou, eu estou fazendo algo e tentando parecer bom…. Eu não sei, tem algo… Arte é louca pra caramba.

B: Sim! Antes eu queria te dizer que vi duas pinturas e vou te mostrar depois.

D: Ok!

B: Do meu amigo Chris. Chris Kall, é seu nome. Nós fomos para a escola secundaria juntos, éramos amigos… Acho que até jogamos baseball juntos. Nós éramos amigos, mas aí eu fui para outra escola e não mantemos contato. Até que dois anos atrás, a mágica do Facebook aconteceu. Eu o vi e ele começou pintar. E ele fez isso (o entrevistador mostra a pintura) Eu não sei se você consegue ver.

D: Eu vejo um cavalo.

B: Ele faz essas coisas com os dedos, ele era músico, mas acabou fazendo isso pela família, para passar mais tempo com a família, conseguiu ser um artista de galeria. E eu vi uma pintura e pensei “Meu Deus, eu preciso ter algo parecido. É tão comovente”. Fui atrás dele e tentei ter uma pintura, mas não me lembro o que aconteceu… Em todo caso, um ano atrás estava sentado em casa e um pacote chegou. Era uma pintura maravilhosa que ele fez e deu pra mim.

D: Esse parece o cara.

B: Sim , é o cara. “Às vezes um homem senta sozinho” é o título.

D: Certo.

B: E ele só deu a pintura embora… Não foi só criá-la, mas ele deu sua criação.

D: Eu realmente acredito em dar tudo, você tem que dar todas as suas coisas. Não é para você, é para…

B: É para todo mundo! E a peça se tornou mais do que eu projetei, mais do que eu ficaria feliz em ganhar.

D: E linda, com todas essas qualidades maravilhosas.

B: Então me diga o que significa abrir mão de uma criação?

D: Olha, antes da gente mudar de assunto… Esse cavalo! (Desenho da pintura)

B: Ok, você gostou do cavalo! É um cavalo da minha pintura.

D: É um trabalho finalizado, o que quero dizer, é uma peça finalizada e eu posso fazer algo similar ou tentar recriar isso, mas tem algo finalizado sobre essa peça que eu digo: isso é uma obra de arte! Eu acho não acredito que tudo é arte.

B: (brincando) Você não acredita? Ah, não. Ok!

D: Alguns acreditam que novela é arte… E eu digo não, não é!

B: Ok, qual é o fator principal para você?

D: Exatamente, eu não posso te falar isso, está além de mim…

B: Você saberá quando enxergar?

D: Eu saberei quando enxergar! Existem pinturas que eu vejo milhares e milhares de vezes e eu digo é isso!

B: Você se sente assim quando ouve músicas ou vê filmes?

D: Sim, me sinto.

B: E você consegue distinguir? O que você diz é interessante, você vê um monte de pinturas e ouve um monte de músicas, você distingue alguma como não arte? Ou, eu não gostei, não é arte para mim? Como uma música horrível não é arte…

D: Eu acredito que eles vendem o que é arte e o que não é. É tão elevado, tem que haver algo muito… Isso não significa que você não pode criar, todo mundo pode criar. É algo que é criado sobre uma circunstancia. Não algo por puro entretenimento, é algo que carrega outro espaço.

B: Eu definitivamente sei o que é isso, digo eu sei o que você está falando. Eu colocaria um adjetivo antes disso como “a forma mais elevada da arte”. Isso é realmente inspirador!

D: Eu não…

B: Qual é um exemplo disso pra você? Talvez um músico ou pintor que atingiu esse nível…

D: Filmes gastam muito dinheiro, mas ainda assim conseguem… Existem certas circunstancias e tantas cores para compor a tela…

B: No filme?

D: Sim, a coloração do filme. Algo que acontece no momento certo, só acontece e BUUUM…

B: Esse é o filme que vem na sua cabeça?

D: Sim, o filme 2001: Uma Odisseia no Espaço… E não sei se existe algo criado naquilo. Eu não posso tocar com o dedo, mas é algo vibrante! É algo humano e especial. Esse é um filme que eu considero arte!

B: Eu tenho um amigo chamado Michael com quem fiz um podcast na última temporada, e ele é uma das pessoas mais brilhantes que conheço. Você conhece aquele tipo de pessoa e fica “Uaau!! E acaba dizendo algo que nem faz sentido!”. Ele me disse uma vez que tem um dom, que é de ser capaz de ler livros e tirar algo a mais dele do que qualquer outra pessoa tiraria. E ele ensina isso, fala sobre isso. É o que ele faz. Ele fez isso por muito tempo. Você ia numa palestra sobre um livro que todos conhecem mas quando ele fala sobre isso você ouve todas essas coisas que nunca ouviu antes.  Ele falou muito sobre “To Kill a Mocking Bird” (clássico da literatura americana) e eu pensei: “O que ele vai fazer aqui? O que quer dizer com isso?” E então ele começou a fragmentar a história de maneiras que eu nunca ouvi antes. Mas eu disse: “Okay. Mas soa como se você estivesse inventando coisas.”

D: Sim! Colocando sua própria…

B: Isso! Fazendo suas próprias conclusões. E ele disse “Não. Eu realmente acredito nisso!” Ele me convenceu!

D: Sério?

B: Sim! Sério! Eu preciso contar isso pra ele. Ele me convenceu! Mas ele disse que se você realmente é um grande artista, por exemplo artistas como Harper Lee, John Lennon, e quaisquer outros artistas além destes que conhecemos, que esteja realmente em sintonia, ele disse, que eles podem estar canalizando do espírito. E quando eles fazem isso, canalizando do espirito, então com certeza a mensagem tem algo a mais do que parece…

D: Mais do que permanece com…

B: Isso! Mais do que fica na superfície. E é claro tem mais significado. Estou falando por ele aqui. Porque foi divinamente inspirado, de certa forma. E poderia ser uma música ou uma pintura, enfim. E que isso é a ressonância que sentimos.

D: Certo! Que interessante!

B: E ele disse que é o espirito vindo pela obra, e te causa um efeito dessa forma. Porque essa pessoa estava tão alinhada com seja qual for a energia espiritual que está falando através dela , no caso do livro “To Kill a Mocking Bird” e ele disse que tudo que ele refletiu nele, ele diz: “Estou usando meu dom para extrair essas coisas deste livro.” Então eu disse: “OK… Acho que é isso então! Isso é bem bacana!!” (risos) Mas realmente tem algo indefinível.

D: Totalmente. Eu acho que se você conseguir fazer isso pelo menos uma vez na vida, para mim, isso me faria feliz. Poder ter feito apenas isto. Pelo menos uma vez. Por menor que seja o momento ou o gesto, se você puder fazer isso, e criar algo deste tipo, eu acho que eu poderia morrer feliz. Eu acho que eu iria me aposentar depois disso! (Risos) Pronto! Terminei! Sabe? Eu acho que é tão raro ter feito isso.  Alguém estava falando sobre isso ontem no jantar, e ela falou algo sobre “Tempo cômico”, como quando você ri enquanto tenta falar algo porque você sabe que chegou naquele momento perfeitamente e ressoa na hora certa, e você não consegue evitar por saber que vai causar aquela reação, como um efeito dominó. Você está contando alguma coisa e começa a rir ao mesmo tempo porque você sente uma vibração em seu corpo por saber que essa é a hora certa, essa é a coisa certa pra se falar. Eu acho que isso é um pouco parecido com aquilo [que falávamos antes.] Quando se cria alguma coisa que você sabe por vibrações que é inegável, e também… como é que se diz quando não se pode revelar algo ruim…?

B: Não avaliavel?

D: É, mas não só isso, é como se fosse algo que você não consegue quebrar ou derrubar. Seja o que for naquele momento, não pode ser criticado de nenhuma forma. E isso é o que o faz tão puro. Há uma pureza nisto. Eu acho que estou batendo na tecla de algo que está na minha cabeça mas não está muito bem articulado, mas há a criação de algo tão puro que, podem haver pessoas que não vão gostar, mas não se pode discutir que é uma criação, uma obra de arte.

B: Eu imagino se é assim que as pessoas se sentem quando têm um bebê, ou algo assim.

D: É! Isso mesmo! Eu também imagino que… eu creio que sim…

B: Se você [ouvinte] tem um bebê, escreva para nós e nos conte como é!

D: Isso! Conte para nós! Como tem sido! Como isso acontece! Nos envie isso… (risos)

B: É, agora estamos falando de algo além do que sabemos ser verdade. (risos)

D: Exatamente! (risos)

B: Mas sendo dito tudo isso, essa experiência, essa coisa mágica. Existem outras formas de se fazer isso Pois nem tudo é arte. Mas certamente relacionamentos ou o jeito que você vive sua vida, ou superar um vício ou algo do tipo. Poderia ser uma forma disso?

D: Eu imagino que sim. Eu nunca parei para pensar nisso, como você já pode ter percebido, como sou bem articulado sobre o assunto (risos). Mas eu imagino se existe… bom tenho certeza que existe, algo onde parece que o tempo essa em sincronia com algo perfeito. Você sente como se fosse o momento certo. Eu certamente me senti assim sobre trabalhos que já tive, e quando saí da sala de audição, tive a sensação de que “Ah, esse eu vou conseguir!” E porque… é uma questão do tempo certo. Aconteceu comigo algumas vezes. Onde o tempo é perfeito. A situação é perfeita.

B: Então o que isso representa? Deixa eu te fazer essa pergunta. Como você vê o que é desconhecido neste mundo, num sentido espiritual? Como você forma esse entendimento? Você vem de alguma tradição ou…?

D: Não, eu venho de uma… minha mãe também é médica e meu pai é um ateu resiliente, e eu também sou ateu de certa forma. Mas estive lutando com a ideia de que existe um fluxo de energia, que eu não posso descrever cientificamente. Eu acredito firmemente na ciência, eu acredito que esta é a ferramenta pela qual entendemos o mundo. Mas há algo com o qual eu não consigo trabalhar muito em cima. É como “O que é isso? O que é esse fluir? O que é essa energia? E como isso aparece no nosso
entendimento sobre o mundo?”

B: E em que ponto você está agora? Como você se definiria?

D: Eu não sei, eu estou me tornando cada vez mais espiritual, me definindo mais espiritualmente, conforme fico mais velho. Eu sou um grande fã de Richard Dawkins e Christopher Hitchens (escritores), sabe estes autores muito luminários, que acreditam na ciência, e eu ainda mantenho isso em mim. Eu somente… eu consigo sentir essas coisas, já fiz muitos trabalhos sobre medicamentos ou drogas, ou qualquer nome que pudermos dar à essas coisas. Mas enfim, daí eu…

D: Erva medicinall! Sim, sim, (risos) não são drogas mais duras como eu fiz com ácido.

B: (risos) Eu fiz o meu quinhão de metanfetamina, que existe um deus.

D: (risos) eu já vi Deus.

* Eles estão brincando sobre o uso de drogas, não é realmente algo que aconteceu.

B: Mas então você já esteve em uma situação espiritual e buscou saber um pouco mais sobre estas coisas, certo?

D: É! E eu não duvido de que isso seja apenas o cérebro humano sendo alterado em seu estado de entendimento. Certo? Sendo capaz de entender… Mas mais ainda existe algo a mais para ser entendido. E eu não duvido que isso muda sua habilidade química de absorver certas coisas.

B: Devido aqueles medicamentos que você mencionou antes…

D: Exato! Mas eu ainda acredito firmemente que existe algo naquele fluir de energia no qual eu já vi outras pessoas estando, e então pensei “Existe um mundo disto que eu não compreendo, mas eu posso senti-lo e tenho certeza de que existe um fluir de coisas que eu não posso controlar” e isso me frustra mais do que qualquer coisa. E eu adoro isso também, ao mesmo tempo! E eu estou nesta batalha interna até agora, enquanto conversamos.

B: E podemos ter ambos os lado, de certa forma, talvez, a ciência e as coisas inexplicáveis, seja o que for.

D: Eu acho fascinante! Neste mundo, eu acreditava que eu tinha tanto controle sobre meus resultados, circunstâncias, etc. Mas o tipo de combinações de momentos, tempo e espaço estão se movendo em uma direção na qual eu não posso controlar. Você pode tentar aparecer da mesma forma, mas as coisas vão sempre fluir. E todas essas coisas estão predestinadas de alguma maneira? Ou essas coisas vão sempre acontecer? Aí você fica o mais existencial que você pode ficar! (risos) E eu simplesmente não sei… Eu não consigo obter um controle sobre isso. Eu não sinto como… Sabe? Eu poderia dizer que todos estamos em controle de nosso próprio destino, que tudo está ao alcance do seu braço, mas aí depois coisas vão acontecer com você, coincidências de momentos, coincidências de tempo, construindo sobre as coisas e eu meio que penso “Existem tantas coisas sobre as quais não temos controle. Estamos todos destinados a estar neste momento?” E isso acaba comigo! (risos) Aí eu desisto, sabe? E acabamos apenas batendo papo sobre isso. (risos) Mas eu costumava ficar super em pânico quando pensava nas estrelas, olhando pras estrelas. Eu costumava ficar super deprimido, costumava olhar para esses espaços de tempo gigantes, que estamos entre esse fragmento de luz que está te atingindo, e isso me assustava pra c***lho…

B: Pois é, algumas estrelas que vemos hoje talvez nem existam mais.

D: Exatamente. E eles estão a centenas de milhões de anos-luz de distância, e você está sentado lá e meio que, você sabe, a insignificância de você dentro daquela enorme, enorme, vasta extensão de tempo e espaço, você apenas pensa ‘Que porra é essa cara, que ponto é esse?’, e eu lembro de ter uns 12 ou 13 anos e ir, eu não sei, o que realmente me pegou, realmente me fod*u, como se realmente me levasse a um ponto em que eu não sabia que havia algum ponto, como “qual é o ponto disso”. E então, aconteceu isso comigo. Eu não lembro claramente, alguns anos, tendo esse momento de saber, de ler essas coisas, eu acho que era mecânica quântica, não consigo lembrar o que era, teoria das cordas ou algo muito acima do meu entendimento, mas, assim, era sobre a composição do universo; matéria e antimatéria eram exatamente o ponto em que o universo inteiro veio à existência, e isso levou a um ponto em que tudo o que estava no universo era expandido a um ritmo tão grande que se expandiu desta coisa, e tudo e toda a energia que já vai estar no universo estava naquele…. e eu estova bravo (louco)… mas então o conforto que eu tirei disso foi que o sua ‘maquiagem’ de moléculas, ou átomos, ou seja o que for, sua ‘maquiagem’ é tão importante quanto qualquer tecido naquele espaço a qualquer momento, então se você não existisse, o universo inteiro não existiria porque esse equilíbrio não seria criado . E isso é como…

B: Eu tenho um significativo novamente.

D: Eu sou este significado, e eu não tenho que gostar de olhar para as estrelas, elas não existiriam, e o tempo e o espaço não existiriam se esse conjunto de coisas não estivesse acontecendo. E eu lembro apenas de estar tipo ‘Oh fod*-se, ok, eu posso dormir’.

B: estou bem.

D: eu estou bem. Porque eu permiti que espaço e tempo existissem antes de mim, e eu permiti que existisse, você sabe, o que seria o infinito.

B: É algo sobre você redescobrir seu próprio significado e propósito, e é isso que tantas crenças espirituais trazidas pelas pessoas.

D: Totalmente, você está dizendo a mesma idéia que nós nos importamos, e se nós nos importamos então… não só nos importamos, e é importante que eu também permita que outras pessoas existam, você sabe como se eu permitisse que…

B: Outras pessoas são importantes.

D: Outras pessoas são importantes e, portanto, as coisas não são tão assustadoras. Eu acho que você se parece com uma coisa nebulosa, ou qualquer outra coisa, e você olha para qualquer ponto disso e você tem que escolher e você diz: ‘Eu fiz, eu permiti que isso acontecesse’. “Eu estou aqui, então está aí, e tudo bem porque eu estou aqui.”

B: Comunidade, eu acho.

D: Comunidade Exatamente.

B: Etsá tudo conectado.

D: E eu acho que isso foi muito importante para mim, você sabe, porque senão você bate em torno desse espaço e do tempo, e você bate nessa coisa física e diz ‘Bem, o que eu tirei disso?’, Como ‘O que eu sou… Qual é o ponto em mim?’. E isso foi algo meio que me fez sentir bastante aliviado.

B: Qual é o seu ponto?

D: Para permitir tudo isso. Apenas para permitir.

B: Eu quero dizer de você.

D: Sim, bem… uh…

B: Além do… estou com você, para permitir e manter isso…

D: O equilíbrio.

B: …o equilíbrio molecular. Mas vamos levar isso para um menos… menos…

D: nível existencial. (risos)

B: O que você está fazendo aqui?

D: Eu sinceramente acho que se eu tiver um momento artístico, essa coisa de que estávamos falando, eu acho que teria feito algo que eu sinto que posso fazer, que eu faria… teria feito parte de algo que eu não apenas entenda, mas que eu possa contribuir para o mundo, essa vibração ou o que quer que seja, a criação de um momento, ou um conjunto perfeito de circunstâncias.

B: É… posso levar isso para você contribuir para o mundo?

D: Eu não sei, deixe-me dizer-lhe se eu não fizer, serei muito… Eu vou sentir como, eu sempre amei o Amadeus, o Salieri, assisti Mozart, e sempre sentei e pensei: ‘este é um homem que pode criar gênio sem fazer nada e eu posso trabalhar tanto e eu posso ver esse garoto, esse homem, criar algo de puro gênio, sem fazer nada e ainda assim eu trabalho tanto, e então eu coloco meu tempo e meu esforço.’, então eu sentiria que só poderia apreciar e não contribuir para isso, e isso seria um ego amargo para engolir, para pensar: ‘Eu nunca contribuí para o tipo artístico de esfera do mundo’, isso seria muito difícil para mim superar. E isso não significa que estaria agindo, quer dizer, você poderia fazer qualquer coisa, quer dizer, dirigir, ou apenas fazer algo que você vá faça e pense: ‘Ah sim, eu contribuí para essa esfera’.

B: Certo.

D: Sim, eu acho que há uma comunidade nisso, eu acho que há uma comunidade de adicionar algo ao geral… e eu acho que muitas pessoas contribuem com coisas bonitas que elas também entendem e fazem, mas isso seria meu… esse seria meu objetivo.

B: O que seria pior nunca ter contribuído ou ter outros acreditam que você contribuiu quando você não acredita que não acredita.

D: uh… sim…

B: Como se você fizesse algo e ganhasse um prêmio da academia que você sabia que era meio que [sons de resmungos]

D: Wow eu só coloco nas mídias isso…

B: Sim.

D: Eu não sei, isso seria, é muito… eu acho que isso meio que te assombraria, mas eu acho… (risos) eu pegaria a segunda melhor opção, que é as pessoas pensaram que eu fiz, acho que eu aceitaria isso.

B: (risos) Porque você pode nunca fazer o que realmente chegar lá.

D: Certo, ou você poderia pensar: ‘Bem, eu não sabia, mas você sabe… cheguei perto’

B: E eu tenho uma estátua para provar isso. (risos)

D: Exatamente! Eu tenho algo para me segurar. Que é como se ninguém soubesse que você nunca fez isso, ou ficasse sabendo disso… Eu acho que isso realmente me deixaria pensando um pouco mentalmente.

B: Então, falando sobre o que você está trabalhando agora, onde você está agora, qual é a obra de arte que você está colocando no mundo agora.

D: Então eu vou voltar a fazer, eu estive filmando uma série chamada Medici.

B: Por que todo mundo diz dessa maneira?

D: Medici (risos) porque é assim que os italianos pronunciam, aparentemente, é o que eu tenho dito, tipo, diferente. Eu falo: ‘Meedici, Medichi’. E aparentemente não é o modo florentino de se dizer. Eu estou interpretando Lorenzo De’ Medici, que, curiosamente, e talvez meio que carmicamente apropriado, era um patrono das artes.

B: Toda a família foi.

D: A família toda, sim, mas obviamente nunca, na verdade… quero dizer, um poeta fantástico, e tinha uma incrível habilidade de usar palavras, mas na verdade era o tipo de patrono dos gênios da Renascença. Então, é um lugar engraçado para se estar, ver este gênio, entendê-lo, apoiá-lo. O que é apenas, eu acho, tão importante.

B: Outro gênio.

D: Ver e discernir, ter a capacidade de discernimento para vê-lo e, em seguida, dar àquele artista a capacidade de fazê-lo. O que você sabe, Michelangelo, Davinci, você conhece todos esses maciços e gigantescos gigantes da Renascença, você sabe, Botticelli, você sabe, quem todos deviam, todos devem seu trabalho a Medici.

B: Oh, Lorenzo?

D: Sim, bem, era a família dele, mas particularmente o Lorenzo, porque ele se tornou o tipo de príncipe da… era a idade de ouro da arte, e era uma era de ouro, era a época em que o líder mais cumpria a fantasia do que você gostaria de ter como líder, e também, você sabe, tinha as histórias para provar isso. E sua história é simplesmente incrível, mistura incrível de apenas o líder mais hollywoodiano que você gostaria, quero dizer, as histórias são incríveis, e eu li uma biografia incrível desse autor Miles Unger, que escreveu um uma linda biografia sobre a sua vida (vida de Lorenzo), e eu não pude… Eu estava lendo este livro como parte de uma preparação, e eu estava como: ‘Como isso é verdade?’. Esse homem é incrível, ter feito essas coisas, cumprir essas coisas e viver de acordo com isso, e também esse tipo de olho perspicaz em gênio. Eu apenas pensei que ele era um personagem incrível, e figura, e imensamente importante para a cultura italiana.

B: Para a cultura ocidental

D: Para o Ocidente… Quero dizer, absolutamente, mas você sabe que os italianos têm um verdadeiro orgulho sobre ele e eu realmente não sabia sobre Os Medici, eu realmente não fazia ideia. Mas, é apenas um tipo realmente fascinante de tempo, e você sabe, essa ideia de que você puxou o mundo da idade das trevas para este novo mundo.

B: Cara, isso é incrível, quando você fala assim é como ‘oh cara’.

D: E ele realmente fez isso, ele puxou e toda a Europa Ocidental fora do pensamento medieval.

B: Quando isso sai, quando podemos ver isso?

D: sai em outubro.

B: A primeira temporada?

D: Esta seria a segunda temporada. A primeira temporada já está no Netflix, e tem Dustin Hoffman e Richard Madden.

B: Isso é muito, você vem como uma geração inteira…

D: Isso é vinte… isso chega a uma geração depois. Então, o que é ótimo nisso é que é realmente ótimo, que a primeira temporada é ótima… você vê o começo dos Medici. E isso é como o ouro, isso onde eles realmente pulam e se tornam na frente de, você sabe, onde todo tipo de mitos e fantasias vem à tona, porque ele foi chamado de Lorenzo o Magnífico, por muito de razões e desta série, parece que ele se tornou isso, como ele meio que trabalhou de um clima político muito difícil, e um clima político muito perigoso, em algo que era, ele se tornou todo poderoso e totalmente sinônimo de Florença e isso é lindo.

B: Você sente muita pressão fazendo isso? Quero dizer, você falou sobre isso e você está tipo ‘oh meu deus, isso parece horrível’. (risos)

D: Eu sei, eu sei, (risos) ser humano terrível. Bem, você sabe, eu sempre abordo as coisas de forma bastante semelhante, o que é que os seres humanos são todos iguais e, portanto, seu trabalho é sempre retratar o oposto do que foi percebido deles. Você sabe, tipo, antes disso eu interpretei um sociopata, que viveu, você sabe, foi incrivelmente racista, e todas essas coisas e eu pensei ‘meu trabalho aqui não é fazer essa pessoa mal, mas escolher entender a humanidade disso pessoa’. Então foi meio que o oposto, o que significa dizer: essa pessoa representando todas essas coisas, mas elas são um ser humano, elas são imensamente falíveis, elas têm,  você sabe, elas são preenchidas e crivadas com essas coisas … quero dizer, essa ansiedade e essa coisa que qualquer líder…  você sabe, eu não acho que você possa ser mais grandioso, ninguém sobre a raça humana, você é sempre apenas um ser humano. Você sabe, e de alguma forma, você representa apenas o tempo perfeito, como se estivéssemos falando antes.

B: (risos) Certo, certo, certo, olhe para isso!

D: Olhe para aquele pequeno círculo completo. (risos) Você sabe, você é apenas o tempo e o lugar que permite a qualquer ser humano a… você sabe, que as condições estão sempre lá, que as condições permitem que esse tipo de foco de atividade que eventualmente alguém vai cumprir essa única coisa, então se não fosse ele, seria outra pessoa ou o que eu sempre acho interessante, é que, você sabe, você tem a idade das trevas e então você tem esse foco das coisas, quem iria ser se não fosse Michelangelo, teria sido outra pessoa? E então, alguém disse que a frase “Necessidade é a mãe da invenção” e, na verdade, você pode inverter isso e dizer: a invenção é a mãe da necessidade. É como se sempre se isso sempre fosse acontecer, tinha que ser nas condições certas e as coisas certas que permitiriam que isso acontecesse. Não foi alguém que disse ‘eu tenho essa ideia brilhante, e é isso que eu vou fazer’. É como se essas coisas estivessem sempre ao alcance, elas estão sempre lá e, em seguida, alguém diz: ‘oh, isso parece certo, isso é fácil’. E é isso que os gênios, acho, fazem, que é como se o caminho tivesse sido traçado antes deles e então as condições são tão perfeitas que eles simplesmente entram naquele momento. E acho isso muito interessante.

B: Isso é uma coisa grande, porque eu acho que muitas pessoas… é tipo, não é sorte, eu sempre estive pronto para o momento e quando chegou eu estava pronto para isso.

D: E, você sabe, você vê a invenção de qualquer uma das invenções massivas do nosso tempo; o telefone ou vôo e tudo; e então você olha para o trem a vapor, eu acho que é um bom exemplo, havia muita versão do trem a vapor antes, que parece que eles não criaram essa ideia, é como se ela estivesse construindo em um conjunto de várias pessoas que precisavam dessa habilidade, na Inglaterra para obter de um para transportar à carvão, e essa coisa, e isso, então tudo isso, e ele foi e pensou “oh, é isso” e essa vibração estava certa e tudo aconteceu depois disso.

B: A necessidade e a engenhosidade se encontram ao mesmo tempo.

D: E é esse momento que é impossível recriar. Então, eu queria retratar este momento, nessa coisa, que é esse ser humano que nasceu em uma família com uma enorme quantidade de pressão para ser um líder, para ser isso, nasceu para ser pai que tinha uma péssima gota, foi o líder de Florença, mas ele foi convidado para ser o menino de ouro de sua família e levá-los para uma espécie de lugar maior e, eventualmente, para o papa, para ser um papa, que seu filho fez eventualmente tornar-se um. Mas você sabe, você só tem que retratar este ser humano com a pressão de ser um líder pela primeira vez. Qual é o tipo de como eu me sentia ao interpretar essa parte. (risos)

B: Fazendo o papel. (risos)

D: Aqui está alguém que está lhe dando a oportunidade de interpretar essa parte sobre alguém que é empurrado em algo que todos esperam ser ótimo, sem saber se você pode ou não fazer isso, eu acho que foi bem fácil pra mim, porque você meio que pensa ‘sim, eu não sei se eu posso fazer isso ou não’. Essa é uma qualidade humana, e eu tento torná-lo o mais humano possível. Eu tento lutar com as pessoas do roteiro, que essa é a parte fácil, a fantasia e a coisa, é mais interessante ver alguém que não era perfeito, que apenas diz “Estou inventando isso. Vá em frente.”, mas eles são tipo de traficantes de fé, e traficantes de todas essas coisas, que lhe permitiram ser grandeza além de seu real que você sabe, eu pensei que era uma coisa mais interessante para explorar.

B: Também é mais humano.

D: Mais humano e mais compreensível e, na verdade, acho que mais verdadeiro.

B: Então você está fazendo isso, e isso sairia em queda. Esse é um prato bem completo.

D: Eu tenho que voltar e filmar a próxima temporada, onde ele faz uma quantidade louca de outras coisas, o que é incrível, e então eu me torno e velho e então estou desempregado.

B: Então, hora de se voluntariar. (risos)

D: Exatamente! (risos) Hora de sair da minha própria cabeça louca. E isso me acontece muito, um pouco do que estávamos falando antes é que eu me tornei desempregado e fico muito deprimido e entro no meus pensamentos, e torna-se esse tipo de viagem para baixo como, muito, auto-carregamento, e você sabe, assim, eu acredito fortemente na terapia e nas coisas que você tem, você tem que sair dessa mentalidade de que isso é tudo sobre você, porque na verdade não tem nada a ver com você. Essa é a maior coisa que aprendi este ano “não tem nada a ver com você”.

B: Não tem nada a ver com você?

D: Como a reação de alguém a você não tem a ver com você, porque você não pode passar a vida levando isso muito pessoalmente, e eu ainda faço. Eu estava conversando com… pouco antes de eu vir ver você, esse garçom era como um britânico muito… e eu fiquei tipo: ‘Oh meu Deus, eu fiz alguma coisa para causar isso?’, Mas não tem nada a ver com você.

B: Você provavelmente se desculpou de qualquer maneira.

D: É como “Desculpe, desculpe, cara”. Mas como não é nada para você, você é apenas uma engrenagem nesta máquina gigante.

B: E ainda assim é tão significativo.

D: Tão significativo, porque a máquina não existiria sem você. É um momento muito estranho na minha vida para perceber que outras pessoas são importantes, você sabe antes de tudo.

B: Você parece o maior babaca do mundo (risos). Estou neste momento da minha vida quando percebo que outras pessoas importam (piadas).

D: (risos) Mas eu fiz, eu fui para a escola de teatro tipo ‘mal posso esperar para trabalhar, mal posso esperar para fazer isso’ e eu nunca, e eu deveria ter… outras pessoas importam, e na verdade, essas são as coisas que você lembra que são as pessoas, e como essa ambição que você tem sobre essas coisas é totalmente sobre você, e que as grandes coisas vêm sabendo que você está lá, parte de uma comunidade, e você está a contribuir para uma comunidade, e torná-la menos sobre você, e para torná-la mais sobre outras pessoas é a melhor coisa que eu aprendi, se alguma coisa.

B: Isso pode ser o que significa estar vivo.

D: Totalmente, exatamente!

B: Bem, muito obrigado por estar aqui, você é um artista consumado. E o que é mais artístico, na minha experiência com você, não apenas suas habilidades, mas a maneira como você considera tudo o que você faz. E tudo que você faz foi considerado, é de propósito, você pensa profundamente sobre isso. Você é um pesquisador, você é curioso. Você é uma das pessoas mais curiosas que eu conheço e você tem muita curiosidade. (Ambos riem) Mas você lidera com essa curiosidade, e isso, para mim, é o sinal de um grande artista. Tudo que você faz é profundamente considerado e você trabalha muito duro para trazer mais de si mesmo para tudo que você faz. Então mal posso esperar para ver a próxima temporada de Medici, porque isso vai ser incrível. Muito obrigado por estar aqui.

D: O prazer é meu, obrigada por… Eu poderia honestamente fazer isso por horas e horas.

B: Ótimo! faremos de novo.

D: A qualquer hora, a qualquer hora.

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Adaptação e Tradução: Equipe DSN – colaração: @siriuslychessi – @federicamnno – @marcella_vedder  – @nusa0001.

Fonte: Heard Podcast